
Universitárias portuguesas em voluntariado na Croácia
No mês de Agosto de 2004, o campo de trabalho colaborou na integração de refugiados, num cenário pós-guerra ainda marcado por desconfiança entre etnias.
2004/09/20
Tudo se começou a concretizar com um contacto com um representante da OSCE – Organização para a Segurança e Cooperação Europeia – que ficou interessado na disponibilidade demonstrada pelos Álamos, no sentido de conseguir meia centena de universitárias para trabalhar no terreno durante duas semanas. Foi necessário pensar em actividades que se adaptassem aos objectivos gerais da OSCE, principalmente a integração dos refugiados e a democratização da sociedade croata num cenário de pós-guerra, marcado pela desconfiança entre etnias. Surgiram assim várias iniciativas que foram postas em prática com sentido profissional, bastante criatividade e uma boa dose de improvisação.
Foi necessário o esforço conjunto das 46 participantes para pôr em marcha um evento que deu a conhecer a cultura e a gastronomia portuguesa a cerca de 50 representantes de diversas autoridades, entre elas as Câmaras Municipais de Korenica e Udbina, a Direcção do Parque Natural de Plitvice, a embaixada de Portugal em Zagreb, o embaixador da OSCE e outros membros dessa organização, o Bispo de Gospic, o Director da Escola Profissional de Hotelaria de Korenica, o Gerente do Hotel Macola, etc.
As voluntárias distribuíram-se em dois grupos para desenvolver actividades de tempos livres com crianças, jovens e idosos de duas aldeias: Korenica, de maioria croata católica e Udbina, de maioria sérvia ortodoxa. Um dos objectivos era promover as relações humanas entre eles para, aos poucos, ir ultrapassando as diferenças e desavenças. A Maria Ferreira, estudante de Educação Física, preparou uma tarde de jogos tradicionais para cerca de 70 crianças de diferentes etnias, entre os 5 e os 17 anos, no Parque Natural de Plitvice. Este convívio foi um pequeno passo para a democratização do país.
Todas as manhãs partia um grupo num jipe da Polícia local para as visitas aos refugiados. O material que transportavam dependia da imaginação das voluntárias, já que era difícil saber qual a situação que iriam encontrar: baldes, esfregonas, detergentes, comida, lençóis… Os refugiados provêm de várias zonas da ex-Jugoslávia, e vivem sem família, sem trabalho, deslocadas da sua terra, isoladas, em más condições higiénicas, passam fome e frio e têm pouco ou nenhum contacto com o exterior. Impressionou-me – são palavras da Marta Alvim – o agradecimento dos refugiados durante as visitas que fazíamos às suas casas. A fé e a alegria de viver deste povo tão sofrido ensinaram-me a dar valor àquilo que tenho.
Algumas estudantes tiveram a iniciativa de convocar uma reunião com representantes da OSCE e da Cruz Vermelha local, para dar continuidade a este trabalho, através da sensibilização para o voluntariado das pessoas que vivem próximas destas realidades e sobretudo através do envio de ajuda humanitária de Portugal.
www.portugaltocroatia.no.sapo.pt
Organização:
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Tel.: 21 7587396 / 21 7587425
Fax: 21 7575297
E-mail: alamos@alamoslisboa.org
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